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Por que a gente chama de devoção

2 de set.
1 min de leitura

Antes de ser um objeto pendurado na parede, cada peça do DOS é um ex-voto. A palavra é antiga e a prática é mais ainda: quem alcançava uma graça mandava fazer uma peça, em madeira ou em cera, e deixava na igreja como prova de que aquilo tinha acontecido. Braços, pernas, corações, cabeças. Objetos feitos para agradecer.

São Paulo tem essa camada devocional viva e quase ninguém olha para ela como design. As capelinhas de muro, as plaquinhas de graça alcançada, a oração xerocada deixada em porta de comércio, o santo colado no para-brisa. É uma iconografia popular, feita com material barato e tipografia de impacto, que circula de mão em mão.

O que o Digital Organic Studio faz é ler essa gramática com o repertório de quem cresceu em outra devoção da mesma cidade, a cultura de rua. O flyer de baile e a oração xerocada são parentes próximos, e nenhum dos dois foi feito para durar. As peças daqui são o contrário disso: a mesma gramática, com o tempo e o cuidado de um objeto que fica.

Por isso os nomes das peças não são decoração. CONTROLE, REAÇÃO e VIVO são palavras dessa ordem: coisas que se pede, que se atravessa ou que se comemora.

 
 
 

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